Tem muita gente que ainda acredita que o domínio do idioma inglês só sirva para obter um certificado de proficiência linguística que permita voar no exterior (ICAO-4/5/6) – ou, no máximo, para cumprir com uma “exigência descabida” de algum processo seletivo de linha aérea. Longe disso! Assista ao excelente vídeo ilustrativo da operação do Embraer Phenom 100, produzido pelo Por Onde Voa Você?, para ver como é necessário conhecer inglês até mesmo para voar uma aeronave projetada e construída no Brasil!

“Ah, mas eu uso um “macetário” do manual e dos checklists em português, e consigo operar a aeronave mesmo sem saber inglês!”. Pois é… O problema é que esses “macetários” não são reconhecidos pelo fabricante, e portanto também não o serão pelas autoridades. Se, porventura, acontecer um acidente e ficar comprovado que o piloto não efetuou os procedimentos recomendados pelo fabricante por incapacidade para compreender a documentação original da aeronave, possivelmente o seguro irá se eximir da cobertura, e as responsabilidades civis e criminais recairão sobre o tripulante. Isso sem contar com a falta de profissionalismo inerente ao uso de “macetários”, né?

Existe uma discussão sobre a legalidade da inexistência de manuais em português para as aeronaves comercializadas no Brasil. Qualquer eletrodoméstico ou automóvel importado comercializado no país só pode ser vendido se tiver um manual em português, e com as aeronaves não deveria ser diferente. Mas enquanto isso não se resolve, o piloto continua necessitando conhecer inglês para poder garantir a segurança da operação. Ou então voar somente aeronaves que possuem documentação original em português, como o Paulistinha