O portal do Estadão recentemente publicou uma matéria sobre mercado de trabalho com a sugestiva chamada Dez cursos para profissões com os maiores salários iniciais, e adivinhem quem encabeça a lista? Reproduzo o texto a seguir sobre o curso #1 apontado pela editoria de Economia do tradicional rotativo paulista:

PILOTAGEM PROFISSIONAL DE AERONAVES

Profissionais formados em Pilotagem Profissional de Aeronaves entram no mercado com um salário inicial médio de R$ 4.117, o mais alto entre os cursos de curta duração, segundo o Guia da Carreira. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) exige um número mínimo de horas de voo para conceder a licença de trabalho a este tecnólogo, que pode comandar e pilotar de helicópteros a grandes aviões.

Sem entrar no mérito sobre o valor do salário apontado na pesquisa, se condiz ou não com a realidade, mas… De onde raios o tal Guia da Carreira obteve o valor médio de R$4.117 como salário inicial médio de um tecnólogo de Pilotagem Profissional de Aeronaves? (Lembrando que existem oito instituições que oferecem o curso atualmente). Qual o tamanho da amostra, a data da coleta de dados, a margem de erro, etc.? A pesquisa levou em conta os tecnólogos empregados em quais segmentos da aviação civil? E os que não conseguiram colocação no mercado de trabalho entraram na média? Isso sem contar outras questões mais aprofundadas, como: qual é a diferença salarial de um piloto com diploma de tecnólogo com outro formado em Ciências Aeronáuticas, em um curso convencional (ex. Engenharia, Direito, etc.), ou mesmo um sem nível superior?

No fim das contas, a matéria só serve para uma coisa: desinformar. Lamento pelo Estadão e, principalmente, pelos seus leitores. (A propósito, segundo o mesmo Guia, um estagiário de Jornalismo tem uma remuneração média de R$826,61. Isso explica muita coisa…).