Em um dado momento da vida, as pessoas começam a trabalhar. A primeira experiência com o trabalho geralmente se dá de maneira informal, cortando a grama do vizinho, lavando o carro do tio, e se tudo der certo isso não irá durar muito tempo. A próxima fase se dá quando a pessoa consegue seu primeiro emprego – via de regra, em uma função com baixa remuneração e qualificação idem. Mas do trabalho para o emprego há uma mudança importante: a pessoa começa a ter salário, mesmo que não seja muito, além de responsabilidades, deveres, e também alguns direitos. Num país pobre como o nosso, lamentavelmente grande parte da população fica entre o trabalho e o emprego (às vezes regredindo), e não passa disso. Mas para os mais esforçados ou sortudos, evolui-se para um estágio mais elevado: o da profissão.

Ser piloto de avião ou de helicóptero pode ser um trabalho e um emprego (além de um hobby, mas não iremos entrar neste mérito aqui) – porém, mais do que isso, também é uma profissão. No Brasil, quem pilota aeronaves de maneira remunerada é denominado aeronauta, e necessita de licença especial emitida pela autoridade aeronáutica (Piloto Comercial ou Piloto de Linha Aérea); além de ter que cumprir legislação específica: a Lei do Aeronauta, as Convenções Coletivas de Trabalho, etc. O aeronauta possui uma qualificação bastante superior à média dos trabalhadores, e sua remuneração também tende a ser maior – embora saibamos que, em determinados casos, ela ainda é muito baixa. De todo modo, na média um piloto ganha bem melhor do que os demais trabalhadores do país.

O próximo degrau é o da carreira. No caso dos pilotos de avião, a carreira mais cobiçada (e conhecida) é na linha aérea, onde se começa como copiloto/primeiro oficial, e depois de algum tempo a pessoa é promovida a comandante; e da operação regional ou doméstica para a internacional, conforme o caso. Na asa rotativa, o equivalente da linha aérea é a operação offshore, nas plataformas de petróleo – que, evidentemente, é 100% doméstica. E, em ambos os casos (avião e helicóptero), há as possibilidades de carreira na aviação executiva, no táxi aéreo, na aviação agrícola, na instrução de voo… Bem, na instrução a coisa é um pouco diferente, mas não vou entrar neste mérito neste artigo também para não me estender mais do que o necessário (voltaremos a falar disso em breve). O fato é que as pessoas evoluem na carreira em termos de qualificação, de remuneração e, não menos importante, de poder. Finalmente, há uma última dimensão profissional: a missão – vide gráfico abaixo:

Quando se atinge o topo da carreira, a pessoa está no ápice em termos de qualificação, de remuneração e de poder. Mas não necessariamente de auto-realização: para algumas pessoas, a ambição (no bom sentido) é maior, e aí muita gente parte para um empreendimento privado, para um trabalho social, ou alguma outra atividade que a permita continuar evoluindo – isto é missão, de acordo com o artigo do Prof. Hashimoto referenciado ao final deste. O problema é que em nosso país abrir uma empresa é muito arriscado, e as atividades sociais estão infestadas de aproveitadores. Na aviação, então, o risco do empreendedorismo é ainda maior devido à necessidade de capital e à insegurança jurídica/regulatória do segmento; e as entidades de cunho social, os aeroclubes, estão em franco declínio (salvo as exceções de praxe). Por outro lado, a demanda pelo conhecimento e pela experiência dos profissionais do topo da carreira é enorme: os pilotos menos experientes ou em formação têm pouquíssimo acesso aos veteranos.

É por isso que o Instituto ParaSerPiloto tem uma categoria específica de associados denominada de “sócio mentor”. O objetivo é promover o encontro dos veteranos com os novatos, de modo a suprir a necessidade destes por conhecimento e orientação profissional; e daqueles pela auto-realização pessoal. A mentoria é a atividade mais nobre do Instituto, e neste momento estamos iniciando o processo de abordagem aos primeiros profissionais que gostaríamos que fossem nossos associados mentores.

Aguardem novas informações sobre este assunto em breve!

Artigo original do Prof. Marcos Hashimoto no LinkedInA pirâmide da Carreira