Desde a fase teórica no PP começamos a descobrir a tal da fraseologia. Quando realizamos o exame teórico – também conhecido como banca – muitos de nós nem se lembra deste aspecto do voo. Aí chega a fase prática e a maioria já dedicou horas a decorar “Alfa, Bravo, Charlie, …, Zulu… Uno…”.

Para muitos é só pouco antes do primeiro voo solo que sai o primeiro cotejamento de autorização sem gaguejar (isso para aqueles que chegam a voar solo…) Aliás, você já viu no dicionário o que é cotejar?

“1. Analisar (algo), confrontando-o com outra coisa, a partir de uma nota; confrontar.”

Michaelis Online, consultado em 18/09/2017

Guarde bem a definição, voltamos nela no próximo artigo. Talvez alguns dos pilotos tiveram mais facilidade com o processo de usar a fonia em seu treinamento, pois desde entusiastas já dedicavam horas a ouvir frequências em sites que retransmitiam os sons ouvidos nos headsets para seu computador em casa.

Eu até era um destes, mas o que pretendo abordar neste artigo não são os aspectos diretos da fraseologia padrão como apresentada no MCA 100-16 (Fraseologia de Tráfego Aéreo). Meu objetivo neste texto é falar sobre como funciona a relação entre nós pilotos e o controle (incluindo todas as principais posições operacionais: tráfego, solo, torre, controle e centro).

Se você foi privilegiado como eu, provavelmente teve algum instrutor mais dedicado que explicou que a fraseologia é a ferramenta fundamental para se relacionar bem com o controle e com o tráfego à sua volta.

Talvez você também tenha tido algum colega piloto que lhe lembrou de que não estamos sozinhos no espaço aéreo e que tentar compreender a dinâmica do local em que você está voando, assim como a dos outros tráfegos em deslocamento na sua área, pode lhe oferecer grandes vantagens. Seja para otimizar e agilizar sua operação ou pelo menos torná-la mais segura.

Mas pode ser que o seu caso tenha sido como de muitos outros que aprendem a mentir sobre sua posição para ganhar vantagem no início de um procedimento, ou a declarar um destino diferente do real para facilitar o preenchimento do campo 18 do plano de voo.

Independente de qual tenha sido seu processo, você acredita que sua formação aeronáutica ajudou a tornar sua relação com o controle mais saudável, ou mais conflituosa? E sua experiência de voo depois de habilitado, teria contribuído para melhorar ou piorar essa “convivência”?

Como em qualquer interação social, há deveres e direitos a cada parte e não cabe a mim dizer o que controladores devem ou não fazer, isso é com o DECEA. Então, o que gostaria de ouvir (ler) seriam respostas dos leitores sobre o que nós pilotos podemos fazer para tornar essa convivência melhor, você tem algum palpite ou macete que usa há algum tempo para não enfrentar stress na fonia? Hora de tirar o pano preto.

Continuo essa reflexão semana que vem: dizem que não é bom segurar o PTT por tanto tempo.