Há grande controvérsia sobre a experiência requerida para a formação dos instrutores de voo (lembram da famosa polêmica das 200h PIC?), que em grande parte dos casos é uma atividade dominada pelos pilotos recém-formados. Não deveriam ser os aviadores mais experientes e qualificados aqueles que ensinariam os novatos a voar? Bem… A pergunta é meramente retórica, já que a resposta é óbvia. Mas tudo fica ainda mais estranho quando se percebe que também para os INVAs de INVAs – isto é: os Instrutores de Voo que formam os novos Instrutores de Voo, que por sua vez irão formar os pilotos -, a experiência de voo ou de instrução requerida é pouca coisa superior ao mínimo para a obtenção de uma carteira de PC (cerca de 175h para instrutor de avião e 112h para instrutor de helicóptero). Tampouco há qualquer preocupação adicional com o INVA de INVA em termos de instrução teórica: os requerimentos são idênticos aos do INVA “comum” (aquele que dá instrução de PP e de PC).

Nos EUA, os requerimentos da FAA para um instrutor ser “INVA de INVA” (lá, o correto seria “CFI de CFI”, já que o instrutor de voo da FAA é denominado “Certified Flight Instructor”) também são os mesmos dos instrutores “comuns”, menos em três aspectos (vide seção 61.195/h/j da Part 61):

  1. o CFI de CFI tem que ter obtido sua carteira há pelo menos 24 meses;
  2. deve ter pelo menos 200h de experiência como instrutor de voo no caso de avião, helicóptero ou aeronave de sustentação por potência, ou 80h no caso de planadores (ou 400h/100h no caso de curso aprovado pela FAA); e
  3. deve ter treinado pelo menos 5 alunos com 80% de aprovação destes na primeira tentativa.

Embora ainda longe do ideal em minha opinião (eu acho que para dar instrução para um instrutor a qualificação teórica precisa ser maior – por que não um diploma de nível superior?), as atuais regras da FAA pelo menos garantem um mínimo de senioridade para o CFI de CFI. Mas, pelo visto, não por muito tempo, de acordo com este artigo da Flying Magazine: ARAC Suggests Changes to New CFI Training Requirements – Who will train the trainers in the future?“. Devido ao “apagão de pilotos” que está ocorrendo nos EUA, os CFIs estão migrando em peso para as linhas aéreas regionais, o que está forçando a realização de um downgrade na qualificação dos instrutores nos EUA.

Aos interessados em aprofundar sobre o assunto, recomendo este relatório da ARAC-Aviation Rulemaking Advisory Committee.