Na minha infância em S.J.Rio Preto-SP, lembro-me de um túmulo na rua principal do Cemitério da Vila Ercília que ficava repleto de copos d’água. Era uma tradição da cidade na época (e acho que até hoje, embora menos popular) fazer promessas e levar um copo d’água para deixar no túmulo do piloto Milton Terra Verdi, que morreu de sede e fome na selva boliviana após um acidente com seu Cessna 140 em 1960. Há um livro sobre o assunto (“Diário da Morte”, Ed. Autores Reunidos, 1961), que pode ser encontrado tanto em pdf quanto em sebos virtuais na internet. O “Museu Asas de Um Sonho” da TAM (S.Carlos-SP) tinha um diorama que reproduzia fielmente a cena do avião conforme fora encontrado – imagem que ilustra este artigo.

Muito tempo depois, quando comecei meu curso de PP, fiquei muito decepcionado ao descobrir que não havia treinamento de sobrevivência na formação de pilotos, só na de comissários – ou seja: na aviação geral, como a em que o Milton Verdi voava, ninguém tem tal treinamento. Para um riopretense que conheceu a tragédia das vítimas daquele acidente – o outro ocupante do avião, cunhado do Milton, morreu por tomar gasolina no ápice do delírio por fome e sede – era muito evidente a necessidade deste tipo de conhecimento. Mas nem o DAC, nem a ANAC, e muito menos as escolas de aviação ou os clubes e associações de pilotos acharam isso importante até hoje, e não há treinamento de sobrevivência para pilotos disponível no mercado brasileiro.

Os regulamentos da FAA também não requerem cursos de sobrevivência para pilotos, mas a autoridade americana pelo menos disponibiliza farto material de treinamento sobre o assunto. Este boletim – General Aviation Survival – publicado pelo General Aviation Joint Steering Committee (que é aquivalente ao nosso BGAST) é excelente! Simples, prático, e não requer conhecimentos avançados em inglês.

Outra boa dica são os vídeos do canal Aircrew Survival, cujos principais episódios seguem abaixo:

 

A AOPA-USA também possui um bom material sobre sobrevivência.