Pink Floyd explica… (ouça enquanto lê)

 

Sabem o que eu faço?

Acordo pela manhã, tomo café, leio meu jornal… Até aí tudo normal.

Me enfio no escritório (eu tenho um aqui em casa) abro e-mails… Humm… Será que tem voo? Alguma novidade da manutenção?

Tem voo! Que dia? Que hora? Preciso me organizar! E aquela certificação dos Aviônicos? Preciso ficar em cima dos caras…

Nada… Não tem voo. Talvez litoral no fim de semana. Paraty é rotina, mas é voo e eu adoro!

Dou uma checada no JDM (Jeppesen Distribution Manager).

NAVDATA tá ok… As cartas: preciso atualizar. Depois dou um pulo lá no hangar pra ver como estão as coisas e resolvo isso.

É melhor deixar os iPad’s na carga. Voando muito ou pouco, tudo tem que estar sempre pronto pra evitar correrias desnecessárias.

Tem um Corvallis 350 que está precisando voar… Está parado já há algum tempo.

O pessoal está se organizando para a ExpoMarte na Sexta Feira.

Vamos de Skylane? É preciso cadastrar o avião, lugar no pátio, etc.

Pago umas contas, até aí tudo normal.

Peralá! Preciso pensar em algo pra escrever pro Aerobusters…

Bateu a fome. Vamos almoçar?

Tava bom o Rango! Que sono!

Quase piso em cima de uns “Planadores Cardoso”… Preciso consertá-los para a Beatriz, minha filha.

Ela me disse que eles ficaram com uma tendência viciosa de entrar num “spiral dive” mortal, depois dos extensivos testes de voo do sábado, no terreno em frente de casa.

Não tem jeito! Só tem uma pessoa aqui em casa que entende de “coisas que voam”.

Logo me pego mirando através do eixo longitudinal dos surrados e pequenos planadores de plástico, tentando alinhar as superfícies aerodinâmicas e aquela cauda… em “V”!

Fico mais tranquilo… É só um “rudervator”, igual ao do Bonanza. Tá fácil!

Lembro que ainda preciso de ideias para o Aerobusters dessa semana, enquanto calibro o aerógrafo para pintar as comportas do trem de pouso do meu interminável “F14 Tomcat”, em escala 1/48.

Mas… Hoje é Dia do Aviador, não é mesmo? Tá fácil, de novo.

De repente, eu percebi que se escrevesse sobre como foi o meu dia, estaria mostrando um pouco da “essência” dessa data.

Notei que mesmo não voando, não fiquei mais do que 15 minutos sem lidar, de alguma forma, com coisas relacionadas à Aviação.

Parafraseando o Richard Bach, no fantástico livro de contos , “O Dom de Voar”,  acho que sou “Prisioneiro de um Estado de Espírito”. Não tenho como mudar isso!

Por mais que eu tente (e eu nunca tento!) eu não consigo me desvencilhar do meu lado Aviador.

Talvez seja o meu único lado!

Através dos anos, a Aviação se transformou num estilo de vida!

No último sábado, completei 50 anos (no mesmo dia em que os Planadores Cardoso foram postos à prova).

Além das felicitações nas redes sociais, muita gente me agradecia, me pedindo pra continuar a ser esse Aviador “despanopretizador” e simples.

Seria desonesto de minha parte, se eu me vangloriasse disso.

Seria como me vangloriar de ter um coração batendo ou sangue fluindo nas veias.

Enfim, eu não sinto que isso é “algo à mais”.

Não é privilégio! Não para um Aviador!

Se – independentemente da sua experiência de voo – você se sente assim também, hoje é o seu dia!

Parabéns!