No  LUSOAVIA – 1º Encontro Internacional de Aviação dos Países Lusófonosrealizei uma apresentação sobre o mercado de trabalho para pilotos num painel de empregabilidade, e nos debates que se seguiram sobre o tema veio à tona a questão das aeronaves autônomas – que, evidentemente, colocariam em cheque a profissão de aviador. O Enderson Rafael (que, por sinal, também participou do painel) escreveu sobre isso num recente artigo na NewsAvia (“O Fim Da Profissão De Aviador“), assim como o Daniel Torelli no antigo blog ParaSerPiloto (“Ideias ao Vento #1 | O Piloto Sumiu?“) – e até o lendário Capt. Sullenberger (o do “milagre do Rio Hudson”) falou sobre o assunto, vide recente post do Canal Piloto (“A tecnologia não pode substituir os pilotos“).

Acho muito difícil que o futuro da aviação não seja dominado pelas aeronaves autônomas e/ou remotamente pilotadas – na verdade, isso já está acontecendo com diversos serviços aéreos especializados (especialmente na filmagem aérea), e a próxima vítima deverá ser a aviação agrícola. O transporte de pessoas em grande escala ainda deve demorar um pouco mais, mas em algum momento deverá acontecer o que ocorreu recentemente com o metrô de S.Paulo, que implantou a Linha 4 sem condutor e ninguém nem notou a diferença. Apesar disso, e por mais paradoxal que possa parecer, acho que a profissão e o hobby de piloto nunca foi tão promissor quanto agora! Eis os principais motivos:

  • Na linha aérea, ainda não há sequer projeto pronto de avião sem piloto. Até que um avião autônomo seja certificado, temos pelo menos uns 20 anos pela frente. Enquanto isso, as linhas de montagem da Boeing, Airbus, Embraer, ATR, etc., permanecem a todo vapor, produzindo aviões que requerem pilotos. Quando os aviões autônomos entrarem em vigor, as companhias não irão ‘groundear’ imediatamente suas aeronaves, isso levará mais uns 30 anos para acontecer, pois é preciso amortizar os ativos. Logo, por pelo menos mais 50 anos ainda teremos a necessidade – que é crescente acada ano, diga-se – de mais pilotos para a linha aérea. Portanto, quem começar a formação aeronáutica hoje provavelmente vai se aposentar num mundo em que os aviões de linha aérea ainda requerem pilotos.
  • Na aviação geral, estamos entrando em duas revoluções tecnológicas na propulsão: os motores ciclo Diesel e os elétricos. Isso deverá reduzir significativamente o custo da operação de aeronaves de pequeno porte no médio prazo, trazendo competitividade para o segmento. E, finalmente,
  • O mundo dos drones remotamente pilotados, que é explosivo em termos de perspectiva de demanda, e que representa um mar de oportunidades de trabalho para pilotos de aeronaves “comuns”.

Por tudo isso, eu não acho que devamos temer pelo futuro da aviação; pelo contrário! Devemos comemorar!

Nota: Na foto ilustrativa deste artigo temos o  protótipo do Airbus E-Fan, que não é remotamente pilotado mas representa um exemplo do que poderá ser o futuro da aviação geral.