SPECI SBSP 260726Z AUTO 27011KT 230V300 0800 R17/0500N +RA FEW002 SCT004 OVC043 18/16 Q1019=

A codificação acima é um bom exercício para interpretação nas aulas de Meteorologia em cursos de piloto pelo país, não acha?

Para entrar no assunto desse texto, quero chamar sua atenção para a sigla AUTO. Ela indica que a mensagem foi confeccionada por estação meteorológica automática. Esta publicação sobre a condição de tempo presente foi gerada essa madrugada em Congonhas.

Esse tipo de solução ainda está em testes em São Paulo e no Rio de Janeiro, e tem sido utilizada apenas nas madrugadas. É fato que a tecnologia provê informação eficaz e tem se mostrado muito confiável, mas um grande benefício que está sendo observado é a redução de custo com pessoal.

A estação meteorológica de superfície (EMS) é um recurso importante para gerar informação aeronáutica em aeródromos com baixas frequências de operação, contribuindo para o aumento da segurança de voo.

A diminuição de recursos financeiros, humanos e o domínio de novas tecnologias tem feito a Força Aérea Brasileira repensar diversos aspectos organizacionais. Esses 3 aspectos e as mudanças geradas têm refletido no âmbito do SISCEAB (Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro). O resumo geral das mudanças na FAB você pode ver no vídeo incluído nesta postagem.

Enquanto pilotos da aviação civil, já vimos algumas alterações na forma de obter acesso aos serviços de informação aeronáutica. As consultas anteriormente feitas em muitos aeródromos nas salas AIS, hoje podem ser feitas usando serviços como o Autoatendimento do REDEMET e o AIS-WEB. O envio do plano de voo vem migrando para o Sigma e agora passa por um novo marco na história, com 6.000 downloads no primeiro dia, e o FPL BR deve se tornar um grande aliado dos pilotos.

A aplicação de serviços à distância só deve crescer, algo natural em um país de proporções continentais como o nosso. Será preciso compreender e contribuir para o equilíbrio entre as necessidades individuais e a viabilidade econômica.

Entre outras medidas já comentadas na pilotosfera comunicadas pelo Brigadeiro Luiz Ricardo – chefe do Subdepartamento de Operações (SDOP) do DECEA – estão:

  • Impulsionamento de Serviços de Tráfego Aéreo Remoto (R-ATS), como o já implantado com a AFIS Noronha este ano, que ainda devemos ver em 2017 em Uruguaiana, Oiapoque e Vilhena, ficando para 2018 a implantação em Barbacena;
  • O início da era das Torres de Controle Remotas (R-TWR), que será testado pela FAB, começando com Santa Cruz (SBSC) em 2018, podendo ser acompanhadas pelas localidades Parintins, Cachimbo e Anápolis;
  • O Centro Integrado de Meteorologia Aeronáutica (CIMAER), que será inaugurado em 30 de janeiro de 2018 no Rio de Janeiro. O órgão fornecerá previsões de todo o país para o SISCEAB, contando apenas com oficiais/graduados especialistas;
  • Será formado e empregado um efetivo temporário de ATCO’s pela FAB, em conjunto com o ICEA/DECEA, para que atuem em torres de controle não militares, posições que serão futuramente repassadas à NAV Brasil. A aprovação dessa ação ainda está pendente, a previsão do edital de convocação fica para Abril de 2018.

Em resumo, depois de muitas considerações da pilotosfera sobre a escassez de recursos e ações por parte do governo quanto à infraestrutura, a parte pública começa a apresentar planos e ações para os aspectos de comunicação, navegação e vigilância do nosso espaço aéreo. Vamos torcer para que as condições incentivem também a iniciativa privada nessa estratégia de otimização e investimento.