O Dr. Marcelo Honorato publicou no seu canal no YouTube mais uma mini-aula sobre crimes aeronáuticos, desta vez sobre “tráfico de drogas mediante emprego de aeronaves”. Tema muito interessante, especialmente para quem está ingressando agora na aviação: o envolvimento com o tráfico sempre é uma possibilidade real, então há que se ter muito cuidado para não cair em ciladas (além, é claro de quem deliberadamente começa a voar para o tráfico por dinheiro, aí não há muito a dizer). Vou citar dois fatos, ambos ocorridos no Campo de Marte, em São Paulo, que conheci de perto:

O primeiro é o do piloto de helicóptero que atuava como segundo em comando no famoso caso do Robinson 66 pego com 400kg de cocaína no interior de Minas Gerais, em 2013. Aquele sujeito era dono de uma escola de aviação de asa rotativa, onde também atuava como despachante junto à ANAC (ele dizia ter trabalhado na Agência, o que não tenho como confirmar). Todo mundo que circulava pelas escolas e hangares daquele aeroporto o conhecia, e muita gente honesta contratou seus serviços ou voou em sua escola. Portanto, a chance de se envolver com algo ilícito na total inocência – por exemplo: realizar um voo de instrução com droga escondida na aeronave – era real, muito embora nunca tenha ocorrido nada do gênero (que eu saiba ao menos).

O segundo é o de um piloto veterano, muito conhecido de todos no aeroclube que funciona naquele aeródromo (cujo nome ficará em sigilo para não prejudicá-lo, muito embora a história que eu vou contar seja contada pelo próprio aos quatro ventos), que entrou numa mega-roubada alguns anos atrás. Este piloto (comprovadamente honesto, por sinal) fez um voo para uma fazenda no interior de Pernambuco, contratado por um fazendeiro que apareceu no aeroporto procurando por um piloto free-lancer. Algum tempo depois, agentes da Polícia Federal apareceram na casa dele e o levaram preso, acusado de pertencer a uma quadrilha de traficantes – e ele ficou na cadeia por semanas, até que o seu advogado conseguisse provar que ele não tinha nada a ver com a história.

Estes são dois casos que ilustram bem o cuidado que é preciso ter com este assunto na aviação!