Interessante como é o comportamento de pilotos em países longínquos, como a Nova Zelândia. Vejam, por exemplo, a reportagem “Helicopter crash revealed a culture of pilots pushing limits“, publicada recentemente no site da Radio New Zealand – segue abaixo o principal trecho:

The commission said the plane was loaded about 30kg over the maximum permissible weight, and its centre of gravity was just forward of what was allowed.

The commission said it was operating close to limit for hovering.

There was a culture among some helicopter pilots in New Zealand of operating planes beyond the published limits, it said.

“There was no mechanical reason for the accident. The engine was delivering high power and the helicopter was controllable. The pilot was experienced and had trained in mountain flying and heli-ski operations.”

Ou seja: tudo estava ok com a aeronave e com o treinamento e a experiência dos pilotos, mas devido à cultura que permeava os pilotos locais, os limites operacionais não eram respeitados – no caso, o envelope de peso & balanceamento, que foi determinante para o acidente. A autoridade neozelandesa está processando o operador do helicóptero, e o julgamento será em março.

É claro que também no Brasil há a interferência de uma cultura de desrespeito sistemático dos limites operacionais aeronáuticos, especialmente na aviação geral, afetando negativamente a segurança de voo. A diferença é que por aqui sempre foi muito raro haver consequências jurídicas para quem age de maneira negligente, mas isto está mudando rapidamente. Num futuro muito próximo, veremos muitos pilotos, operadores, e até fabricantes sofrendo processos judiciais por conta deste problema de cultura aeronáutica deficiente. Quem (sobre)viver, verá.