[Artigos originalmente publicados no blog ParaSerPiloto:

  • Quem é o piloto que as companhias aéreas est(ar)ão atrás? em 17/05/2017
  • Latam contrata copilotos de A320 – processo seletivo para público externo em 15/05/2017
  • Latam pode estar contratando copilotos (a confirmar) em 04/05/2017]

Tem gente atropelada pelo caminhão da prova de ATP da Latam que ainda não conseguiu anotar a placa. Pois é, pessoal, foi-se o tempo em que os mínimos de horas de voo e os máximos de idade eram os limitantes nos processos seletivos. A tendência agora é privilegiar os candidatos com mais conhecimento teórico em nível internacional, e a prova da Latam, baseada nos testes da FAA para o ATP, deve ser o novo padrão. E não adianta reclamar que é “prova de astronauta”.

Para quem não entendeu o que eu quis dizer, não tem problema, explico. Latam abriu um processo seletivo inicialmente voltado ao público interno (funcionários da empresa que não atuavam como pilotos, mas possuíam licença de PC)[*1], e aplicou a prova utilizada pela FAA para conceder o certificado de ATP (equivalente ao nosso PLA). Diz a ‘pilotosfera’ que ninguém foi aprovado – o que não posso confirmar, mas o fato inconteste é que não se conseguiu contratar os copilotos que a empresa demandava. Abriu-se, então, o processo para o público externo[*2] e, mais uma vez, a taxa de reprovação na prova de ATP parece estar sendo muito elevada. Aí a ‘pilotosfera’ surtou e começou a reclamar do absurdo que seria a empresa exigir conhecimentos que não são ensinados no Brasil, e ainda por cima numa prova em inglês. Resumidamente, foi isso.

Na verdade, o que está acontecendo é que o mercado está se internacionalizando. Pode demorar mais ou demorar menos, mas a participação do capital estrangeiro nas companhias aéreas deverá ser flexibilizado, muito provavelmente para até 100% de controle externo (hoje restrito a 20%). E a tendência é de padronização dos tripulantes do Brasil nos mesmos níveis dos que atuam em outras partes do mundo. Neste contexto, a prova de ATP da FAA é só um indicativo dos parâmetros que deverão ser utilizados nos processos seletivos das companhias brasileiras que atuam no Brasil de agora em diante.

“Ah, mas não se ensina isso no aeroclube – aliás, nem se exige inglês para ser PC!”. Pois é, aí que está o desafio! Os padrões de formação da maioria dos aeroclubes e escolas de aviação brasileiros são os mesmos dos tempos do “Dêem Asas para o Brasil”, do Assis Chateaubriand, e o piloto que as companhias aéreas estarão atrás quando o mercado retomar as contratações em grande volume serão os que foram muito além do que as escolas brasileiras oferecem. Então, meus caros, corram atrás porque quem não entender isso vai ficar de fora da retomada que vem por aí.

[*1] Latam pode estar contratando copilotos (a confirmar)

Depois de um longo e tenebroso inverno que durou vários anos, a Latam/Brasil pode estar abrindo um processo seletivo para a contratação de copilotos para suas aeronaves da “família Aibus-320” (A319/320/321) nas bases Rio de Janeiro e Brasília. Os requisitos mínimos são os da imagem que segue abaixo, mas há informações desencontradas sobre se o recrutamento é destinado somente aos funcionários da companhia ou se é aberto ao público externo. A Latam já foi contactada, e assim que responder confirmado (ou não) a informação e especificando os termos do processo seletivo, anunciarei aqui.

latamcop