Controlled Flight Into Terrain – CFIT: quando uma aeronave controlada, em perfeitas condições de voo, choca-se contra o terreno. Os acidentes CFIT são bastante citados nos estudos de CRM e SRM porque englobam praticamente todos os aspectos relativos ao desempenho mental do piloto.

Todo acidente CFIT é um claro indicativo de perda de consciência situacional. Afinal, na cabeça do piloto, simplesmente não havia nenhum morro ali! Em algum momento do voo, o piloto se perdeu. Passou a acreditar que estivesse em determinada posição (lateral ou vertical), quando, na verdade, estava em outra. Essa perda de consciência situacional pode ser causada, como já sabemos, por inúmeros motivos. Nesta coluna, vamos entrar em detalhes sobre alguns dos fatores que mais contribuem para este tipo de acidente.

Level bust”: Acontece quando uma aeronave “estoura” (bust) um nível ou altitude pré-estabelecidos pelo controle de tráfego aéreo ou pelos procedimentos de saída/chegada. O perigo, no caso do CFIT, é quando existe o bust para aquém da altitude prevista. Ou seja, a aeronave desce abaixo da altitude mínima de segurança prevista no setor ou rota. Alguns fatores que podem levar a um level bust são: mau entendimento de uma instrução do ATC, ajuste de altímetro incorreto ou mau gerenciamento da automação.

Gerenciamento da automação inadequado: Um mau uso da automação pode fazer com que uma aeronave desça abaixo de uma altitude segura durante o voo. Como já vimos em outros Safety Tips, existem modos de piloto automático que dependem do ajuste correto de bugs ou da programação de perfis de descida. No caso de uma programação inadequada, a automação poderá levar a aeronave a um perfil de descida ou altitude incorretos, colocando a segurança do voo em risco.

Planejamento de descida insuficiente ou inadequado: Quantas vezes não fazemos um belo briefing de decolagem antes da saída, mas ignoramos completamente o mesmo procedimento antes da descida e do pouso? Muitas vezes, detalhes importantes para a chegada (como, por exemplo, setor de entrada, terreno e obstáculos, perfil de descida e restrições, etc.) são omitidos na falta do briefing, baixando o nível de atenção e consciência situacional.

Mau uso das cartas: As cartas de aproximação contêm todas as informações importantes a respeito das altitudes mínimas a serem mantidas em cada momento da chegada. Mesmo voando sob regras de voo visual, é importante observar o relevo através das cartas WAC.

Além de tudo isso, acidentes CFIT também acontecem quando pilotos tomam atitudes perigosas. Quem nunca ouviu falar em algum caso onde o piloto tentou “ciscar” por debaixo de alguma camada de nuvens, até dar de frente com o chão? Em inglês, faz-se uso do termo “scud running”, ou seja, tentar voar abaixo de formações de nuvens, próximo ao terreno, a fim de se evitar condições IMC.

O fato deste tipo de ocorrência sintetizar praticamente todos os assuntos que já abordei até agora, faz com que seja um bom tema para coroar os tópicos de CRM e SRM discutidos.

Até a próxima!