CAE Airline Pilot Demand Outlook – 10 Year View

A CAE publicou um interessante relatório (link acima) sobre a demanda global de pilotos para os próximos 10 anos. De acordo com a empresa, dos 290mil pilotos ativos em 2017, 105mil deverão deixar de trabalhar como aeronautas até 2027 (seja por aposentadoria, por problemas de saúde, etc.). E para dar conta de um aumento de 12mil aeronaves na frota das companhias aéreas neste período, que chegaria a 37mil jatos, a demanda total por pilotos bateria em 440mil profissionais (uma média pouco menor que 12 pilotos por aeronave). Tudo somado, subtraído, multiplicado e dividido, a CAE chegou no final de seu estudo ao número estimado de 180mil novos comandantes demandados para a linha aérea nos próximos 10 anos, o que indica que boa parte dos 4 faixas de 2027 nem sequer começou seu treinamento hoje.

Isso significa, na prática, que o método convencional de formação de pilotos, em que o sujeito vai para a escola de aviação fazer o PP e o PC, para depois “fazer hora” em aeronaves single-pilot pouco sofisticadas, para então ingressar na linha aérea e conhecer o mundo dos jatos multicrew, passando vários anos como copila, para então ascender a comandante, não atenderia à demanda requerida pelas companhias aéreas. Esta metodologia simplesmente não conseguirá dar conta da necessidade de tantos comandantes em tão pouco tempo: para atender à demanda será necessário modificar o processo de formação de pilotos que existe atualmente, e o relatório da CAE também entra neste mérito. Na verdade, tal modificação já está em curso, e pode ser verificado no gráfico destacado no cabeçalho deste artigo.

Enquanto as escolas de aviação tradicionais estão perdendo importância como entidades formadoras de pilotos para a linha aérea (muito embora ainda sejam a opção mais relevante), e cada vez menos pilotos venham das universidades e das carreiras militares, as academias de pilotos tiveram um crescimento superior a 50% no período 2012-2017. Segundo a CAE, 90% dos pilotos formados desta maneira vão atuar na linha aérea, contra 70% dos pilotos formados nas escolas tradicionais. Além disso, os pilotos formados pelas academias de pilotos já passam por avaliações psicológicas e comportamentais no início do treinamento, assim como a preocupação com a proficiência linguística em inglês (no caso de treinamento de pilotos cuja língua materna seja diferente) já acontece desde as primeiras etapas. Tudo isso, aliado a um programa adaptativo e focado no ambiente operacional da linha aérea, tem se mostrado muito mais eficiente que o treinamento convencional.

Infelizmente, aqui no Brasil nós abandonamos o modelo de academia de pilotos há mais de 20 anos, quando a Varig descontinuou a EVAER (vide aqui), e até hoje nunca mais se falou no assunto por aqui. Acho que está na hora de retomamarmos este assunto.