No início deste mês (04/04) ocorreu um terrível acidente com um PA-28R-201 Piper Arrow-II  da foto acima (similar ao nosso Corisco, fabricado pela Embraer sob licença da Piper nos anos 1970/80), num voo de cheque com um aluno da ERAU-Embry Riddle Aeronautical University. A aeronave tinha cerca de 10 anos de fabricação e 7.960 horas de voo no total, tendo saído de sua inspeção anual em 21/03 passado, de acordo com esta nota de um jornal local. A tragédia ocorreu porque a asa esquerda se desprendeu da aeronave na raiz, devido a problemas de fadiga de material (vide matéria da Plane & Pilot Magazine), logo após um toque-e-arremetdida, quando ela estava a 900 pés AGL. O checador da FAA e o aluno faleceram devido ao acidente, e desde a data da ocorrência a universidade groundeou toda sua frota de Arrow.

Os Arrow/Corisco são extremamente populares na instrução de voo, sendo que existem 49 unidades do modelo registradas no país, operadas pelos aeroclubes e escolas brasileiras em suas diversas versões, de acordo com o RAB/ANAC. Os mais “modernos” foram três unidades fabricadas em 1990 – curiosamente, em três localidades diferentes: uma na Piper americana, outra na Embraer, e uma terceira na Chincul, um fabricante argentino que também foi licenciado da Piper -, mas as outras são bem mais antigas, fabricadas nos anos 1970 e 1980.

Não sei como são feitas as inspeções pré-voo na ERAU, mas duvido que seja “nas coxas” – ainda mais num voo de cheque com INSPAC da FAA. Também suponho que haja critérios bastante rigorosos na manutenção da frota daquele operador – que, aliás, também possui cursos na área de engenharia & manutenção aeronáuticas. Por isso, acho intrigante como o problema apontado na investigação não tenha sido previamente detectado nem pela tripulação e nem pelos mecânicos. Mas, enfim, a literatura das investigações de acidentes aeronáuticos está repleta de casos impossível de acontecer, mas que efetivamente aconteceram, né?