Lembram do voo 1380 da Southwest, aquele que revelou a “heroína com ‘nervos de aço'” Tammie Jo Shults, a ex-piloto de caça da Marinha dos EUA? Pois então, se houve uma ‘Batwoman’ naquele evento, não se pode esquecer do ‘Robin’ que estava sentado na poltrona da direita da cabine de comando do Boeing, o copiloto Darren Ellisor – também ele originário da aviação militar (antes da Southwest, ele fora piloto da Força Aérea americana, vide reportagem da Newsweek). “Ah, mas ele era somente o ajudante da Cmte Tammie, não um heroi de verdade”. Pois então…

Existe um grande preconceito – talvez até maior do que o que pesa contra as mulheres pilotos – quanto aos copilotos (imaginem, então, as mulheres copilotos!). O público em geral os entende como uma espécie de estagiário ou secretário de comandante, mas até aí nada demais: quem não é da aviação não tem mesmo a obrigação de saber qual é o papel do copila a bordo. O problema mesmo é o entendimento equivocado da função por muitos pilotos, que teriam a obrigação de saber a importância da função. A expressão clássica desta ignorância são as piadinhas como a do placar acima reproduzido, que muita gente acha engraçadíssima.

Eu não entendo que a Cmte Tammie tenha sido uma heroína (sem desemerecê-la!), mas se houve algum mérito da tripulação na resolução daquela emergência – e, sem dúvida, houve, porém em termos de profissionalismo -, tanto a comandante quanto o copiloto merecem igualmente os louros (isso sem falar nos comissários e controladores). Um copiloto não profissional poderia ter transformado o acidente em tragédia, por melhor que fosse o desempenho da comandante na ocorrência.

Achar que copiloto bom é aquele que cumpre o que diz a plaquinha infame acima nada mais é do que anti-profissionalismo e ignorância, mau aproveitamento dos recursos disponíveis a bordo e, sobretudo, falta de ‘airmanship’. A propósito, ouçam o áudio da comunicação da tripulação com o ATC, em que se nota a coordenação de cabine acontecendo – às vezes, é a comandante que fala, noutras, é o copiloto, e ambos se comunicando como se fossem uma única pessoa.