Quem leu o artigo publicado aqui ontem, sobre o evento de recrutamento da TAP, percebeu que o mercado europeu está escancarado para pilotos brasileiros (sem "passaporte europeu") com licença EASA. No caso específico da empresa portuguesa, as chances de contratação de um piloto recém-formado numa escola de aviação certificada pela EASA (ATO) são enormes. Com efeito, um dirigente da companhia revelou que eles têm ido regularmente às escolas do país para recrutar os alunos antes mesmo de se formarem.

Os grandes problemas da formação aeronáutica na Europa são: 1)Custo - em Portugal, ao redor de €60mil (cerca de R$300mil); e 2)Restrições de possibilidade de trabalho para pilotos sem cidadania europeia. Esta segunda questão, entretanto, torna-se cada vez menos um problema, dado que as companhias européias estão cada vez mais dispostas a patrocinar vistos de trabalho para não europeus (além da TAP, a Ryanair já havia mostrado esta disposição publicamente em ocasião anterior). Vamos analisar o primeiro item, então.

No Brasil, a formação completa PC-MLTE/IFR +ICAO e Jet acaba custando menos da metade disso. Só que o aluno vai ter que passar uns bons 3-5 anos polindo sua CIV, no mínimo (o que cada dia fica mais difícil e custoso), para, então, ingressar como copila numa companhia aérea ganhando R$5mil/mês. A TAP, que não é a companhia que melhor paga na Europa, oferece €80mil/ano. Mesmo com o Imposto de Renda português comendo quase a metade disso e o custo do type rating a cargo do piloto, ainda sobram uns €2mil/mês na conta, pelo menos. É mais do que o dobro do que um copila brasileiro ganha, mas com um detalhe: isso começa a contecer logo após a formatura.

Portanto, faça as contas: faz muito mais sentido econômico investir numa formação europeia, que embora mais cara permite ao piloto começar a ser remunerado logo após formado em valor superior, do que numa formação brasileira, que é mais barata mas restringe bastante as opções de empregabilidade e de valor de remuneração.