Em 06 e 07 de novembro, participei do EASA Annual Safety Conference 2018 – A vision for the future of General Aviation em Viena/Áustria. Na agenda, destaque para as aeronaves com propulsão elétrica, principalmente as eVTOL de condução autônoma, como este modelo da Aurora, desenvolvido em parceria com a Uber. Na realidade, a autoridade europeia já possui, desde dez/2017, regulamentação para suportar este tipo de operação (a emenda n°05 à CS-23, equilaente ao nosso RBAC-23), muito embora ainda não exista aeronave efetivamente certificada com tais características até o momento. Diz o pessoal da EASA que os primeiros modelos devem começar a voar em cinco anos, vamos ver… (Eu, pessoalmente, ainda sou cético).

Ainda na linha Jetsons, a Pipistrel, que já fabrica aviões elétricos e híbridos de 2 lugares, mostrou um projeto para uma aeronave eVTOL elétrica com piloto para até 19 passageiros. Diz a fabricante que assim que resolvidos os problemas de escala de fornecimengto de componentes, eles já teriam condições de construir um protótipo (o representante da Siemens no evento disse que, da parte deles, isso pode começar a acontecer já em 2019). No plano mais “mundano”, por outro lado, foram apresentados novos produtos para a aviação geral e de instrução focados em menor custo operacional, em especial o novo Sonaca-200 (já certificado) e o Elixir (previsto para ser certificado no início de 2019), ambos fabricados na França com preço na casa dos €180mil, e prometendo muita robustez, economia e facilidade de manutenção, com os velhos e bons motores a pistão Rotax com potência entre 100HP e 140HP, dependendo da versão. Parecem boas opções para a renovação da frota de instrução em nosso país, em minha opinião.

Outra novidade interessamte foram os aplicativos para compartilhamento de voos e, especialmente, “alavancagem de timebuilding” (permitir aquisição de experiência a custos mais baixos): o Wingly e o Coavmi, os dois apresentando modelos de negócios com o “selo” da EASA. Tratam-se de ferramentas para permitir que passageiros e pilotos dividam os custos diretos do voo (sem remuneração para o operador e/ou piloto), seja ele uma viagem (A->B) ou panorâmico (A->A). Um bom benchmark para o Brasil, desde que a ANAC tenha visão parecida com a da EASA sobre o modelo.