O Correio Braziliense de 04/02 publicou a matéria “Demanda alta e falta de pilotos afeta as empresas de aviação” que está causando certo alvoroço na ‘pilotosfera’ e, especialmente, na ‘wannabesfera’ (a, digamos, ‘pré-pilotosfera’). Muita gente ficou animada com as perspectivas positivas para a carreira de piloto, enquanto outros se chocaram com os valores de curso apresentados; e tudo pelo fato de a reportagem misturar informações sobre o mercado brasileiro e global sem mostrar exatamente quando se estava falando de um ou de outro.

O que existe, de fato, é o seguinte:

  • O mercado internacional (EUA, Europa Ocidental, Oriente Médio e Ásia) continua aquecido e demandador de pilotos, porém…
  • Para acessar estes mercados, um piloto brasileiro necessita de experiência prévia em linha aérea (exigência das companhias asiáticas e árabes), carteira EASA (para atuar nas empresas europeias), ou carteira FAA, 1.500h de voo e ‘green card’ (para os EUA); e
  • O mercado brasileiro está reagindo, mas não com o vigor que seria necessário para reverter a relação de oferta & demanda de pilotos, que esteve bastante desfavorável para os aviadores nos últimos anos.

Sobre este último item, um bom exemplo é o recente anúncio de que a Latam irá contratar 500 novos tripulantes em 2019 – destes, serão cerca de 60 pilotos. É uma boa notícia, sem dúvida, mas convenhamos: para a segunda maior companhia aérea nacional, o volume de contratação citado é bem pouco significativo (lembrando que o Brasil formou apoximadamente 1.000 pilotos comerciais ao ano em 2016 e 2017). Isso sem contar que a crise por que passa a Avianca poderá gerar uma demissão de pilotos de ordem similar.

Então, tenham calma: apesar da melhora recente, ainda estamos bem longe de um “apagão de pilotos” no Brasil.