Diversos associados do IPSP e leitores deste blog que atuam como INVA em aeroclubes e escolas de aviação têm entrado em contato comigo para dizer que o SACI-ANAC “está com um bug”: as horas de voo realizadas como INVA-OBS não estão sendo somadas no campo onde mostra o total de horas de voo. Sobre este assunto(*), é o seguinte:

  • Não vão somar mesmo! As horas de voo do INVA-OBS são, em última análise, realizadas como SIC-single, tanto é que elas devem ser assim registradas na CIV em papel. A intenção da ANAC com a CIV digital é poder controlar com mais facilidade as horas de voo válidas para obtenção de licença de grau superior (ou seja: para checar o PLA), e as horas de INVA-OBS, assim como as de SIC-single (não obrigatórias para a operação) e as de instrutor em solo, não se prestam a este fim. Portanto, a ANAC não quer mesmo que as horas voadas como INVA-OBS se misturem com as horas de voo que serão utilizadas para a obtenção da licença de PLA – que são: as horas PIC (inclusive no caso de atuação como instrutor de voo quando o aluno não é o PIC), as horas como SIC-multicrew (obrigatórias para a operação), e as horas como piloto em instrução (as que antigamente eram chamadas de “duplo-comando de instrução”). Somente nestas três situações, as horas de voo serão computadas como horas totais na CIV digital.
  • Em não somando, estas horas de INVA-OBS vão servir para comprovação de experiência num processo seletivo? Vai depender do recrutador, só a prática irá dizer; isso não depende da ANAC. Pode haver empresa que irá aceitar e empresa que não irá aceitar a hora de INVA-OBS como experiência de voo, e cada recrutador tem o direito de entender o assunto como achar que deve. Na verdade, o “certo” seria que o recrutador utilizasse a CIV em papel como único documento comprobatório de experiência do piloto – e, neste contexto, não só as horas voadas como INVA-OBS seriam computadas, como todas as demais horas lançadas como SIC-single também. Em última análise, se isso acontecesse, a regra do INVA-OBS nem precisaria existir, já que ela nada mais é do que uma gambiarra para colocar a experiência do INVA que voa com aluno de PC (nas horas PIC dele) para dentro da CIV digital. Mas o problema é que estamos em um país que tem a cultura da desconfiança, e aí os recrutadores começaram a exigir que os registros da CIV em papel coincidissem com os da CIV digital, e criou-se a tal da hora de INVA-OBS para tentar acalmar os ânimos de quem se entendia prejudicado. Eu lamento que tenha que ser assim, mas as coisas são como são.

Resumindo e encerrando

Fiquem tranquilos, o sistema de vocês não está bugado; as horas de INVA-OBS não vão mesmo aparecer nas horas totais. Mas não há como saber se as companhias aéreas irão aceitar tais horas nos processos seletivos. Eu acho que teria sido muito melhor ter realizado um trabalho educativo junto às empresas aéreas para mostrar que a CIV em papel é tão confiável quanto a CIV digital (por que um fraudador teria escrúpulos quanto ao meio da fraude?), o que não só evitaria a necessidade de existir a tal da hora INVA-OBS, quanto valorizaria a hora de SIC-single – que, a bem da verdade, é uma experiência muito importante e que nunca foi bem entendida por quem deveria. Mas, já que se escolheu este caminho do INVA-OBS, então que pelo menos seus detalhes sejam esclarecidos para a comunidade aeronáutica – é o que se espera com este artigo. Caso ainda pairem dúvidas, por favor as coloquem nos comentários para tentarmos elucidá-las.

(*)Obs.: Leiam também SOBRE O ‘INVA-OBS’ – NOVA POSSIBILIDADE DE REGISTRO DE HORAS DE VOO PARA INSTRUTORES DE ALUNOS DE PC