O Valor Econômico publicou uma matéria – “Apaixonados pelo trabalho são mais explorados, aponta estudo” – que revela o óbvio das relações de trabalho (porém, com uma pesquisa científica por trás): quando o contratante percebe que o contratado tem paixão pelo que faz, a tendência é de que este seja mais explorado. Imaginem, por exemplo, uma prostituta ninfomaníaca… Que cliente não tentaria pechinchar ao perceber que a profissional é obcecada por sexo?

Na verdade, nós já discutimos este assunto no blog várias outras vezes – e, modéstia às favas, este artigo explora muito bem este assunto: “Sobre paixão por voar e ser piloto profissional“. Recomendo também este outro – “Exame.com: ‘Fazer o que ama’ pode ser uma decisão perigosa de carreira” -, em que o assunto vem à tona comentando uma matéria publicada na imprensa. Mas, agora, gostaria de enfocar outra abordagem sobre o mesmo tema: uma vez que você decidiu fazer o que ama como profissão, como mitigar os riscos de ser explorado? Ou, voltando ao exemplo acima, como a prostituta ninfomaníaca faria para evitar ter que ceder à pechincha de seu cliente?

A frase que ilustra este post, atribuída ao filósofo chinês Confúcio (séc.V a.C.), não diz nada sobre como não ser explorado no “trabalho de que gostas”… Porque se você não tiver como pagar as contas, não vai dar para continuar a realizar tal trabalho de qualquer maneira. É preciso algo mais para tornar o pensamento confucionista viável: estratégia econômica. Não é tão poético, mas funciona.

Trata-se, basicamente, de explorar uma força da natureza chamada “ponto de equilíbrio entre oferta e demanda”, e para quem tiver curiosidade, recomendo ler: “O mercado de trabalho para pilotos: sobre micaretas e camarotes vip“. É a partir dos conceitos apresentados neste artigo que se constrói uma estratégia de carreira que viabilize trabahar no que se gosta sem ser explorado.

Ah, mas você quer a receita do bolo pronta, né? Lamento, mas ela não existe: cada caso é um caso. E colocar a estratégia em prática também não é fácil, nem rápido. Mas dá para fazer, tanto é que existe muita gente que consegue, a despeito das crises econômicas, da falta de recursos, e das inúmeras dificuldades que existem.

A gente vai voltar a este assunto muitas vezes, e estou preparando um material bem interessante sobre empregabilidade para os associados. Aguardem as novidades!