A ANAC publicou os dados referentes à emissão de novas licenças de tripulantes e mecânicos no período 2012-2018, que eu recortei e analisei na tabela acima para avaliar o que está acontecendo com a formação de pilotos comerciais – os novos aviadores profissionais, aptos a ingressar no mercado de trabalho. Sem nenhuma surpresa, constata-se que chegamos ao fundo do poço, com a formação de aproximadamente a metade dos PCAs do melhor ano do período, e cerca de 1/5 dos PCHs. Dá para piorar? Um pouco, sempre dá (tanto é que 2018 foi um pouco pior que 2017), mas os números são tão ruins que não há muito espaço para piorar demais.

É evidente que este fundo do poço tem a ver principalmente com a falta de perspectivas em termos de empregabilidade, por mais que a crise econômica também prejudique a disponibilidade de recursos para investimento em instrução. O fato é que o mercado da aviação não está precisando de novos aviadores profissionais neste momento. No caso da asa fixa, enquanto a roda não começar a girar, com a linha aérea contratando pilotos da aviação geral e de instrução, e esta absorvendo os novos entrantes, a demanda não vai se firmar; sendo que, para a asa rotativa, o motor de empregabilidade é a indústria do petróleo. Em ambos os casos, a retomada não está se verificando, fato que a deterioração da Avianca não ajuda em nada.

Este baixo volume de formação de pilotos, especialmente de 2016 para cá, vai cobrar seu preço no futuro. Uma hora o mercado volta a crescer, e quando isso acontecer o estoque de pilotos disponíveis no mercado rapidamente irá se esgotar. Aí, voltarão as infames reportagens sobre apagão de pilotos, e tudo o mais que já se viu no Brasil no passado, e que hoje se vê nos EUA, na Europa e na Ásia. Mas como as habilidades de planejamento da formação de pilotos não é o nosso forte, seremos surpreendidos novamente.

“Ah, Raul, e o que eu faço da minha vida com esse cenário tétrico do mercado de trabalho para pilotos??” – esta é a pergunta que mais recebo todos os dias. Bem, pessoal, em primeiríssimo lugar, como diria o Mochileiro das Galáxias: não entre em pânico. Agora que você respirou, pense numa maneira de pagar suas contas sem precisar da renda como piloto (dirigir na Uber, cuidar de idosos, dar aulas de inglês, você escolhe!). Com isso resolvido, o que eu acho providencial é analisar como poder ter acesso ao mercado internacional de pilotos. Essa seria a maneira mais efetiva para garantir sua empregabilidade na aviação, e vamos voltar a tratar deste assunto em muito breve por aqui.