O portal UOL publicou hoje uma impressionante (pelos maus motivos) matéria denominada “Avião que caiu com Gabriel Diniz fazia voos panorâmicos ilegais em Maceió“. Contribuindo com a campanha anti-fakenews, vamos corrigir seus erros:

1) Os aeroclubes (e, por extensão, as escolas de aviação) podem realizar voos panorâmicos – prerrogativa prevista no art. 140.71 do moribundo RBHA-140. Com a publicação do RBAC-141, na medida em que as instituições de ensino forem migrando para o novo regulamento, tal prerrogativa deixará de existir (a menos que elas se certifiquem pelo futuro RBAC-136), mas por enquanto ela ainda está válida. (Obs.: Já as manobras acrobáticas relatadas provavelmente estavam irregulares mesmo, mas há que se entender melhor do que se tratava).

2) Não há nada que impeça que um avião de propriedade de um aeroclube leve passageiro, desde que respeitadas algumas condições, principalmente: a)que seja operada por um associado da instituição (que, pelo que consta, era o caso); b)que não seja um voo de instrução (que também era o caso); e c)que o operador não seja remunerado (que, de acordo com declarações do pai do cantor que morreu no acidente, não era o caso, o que configuraria TACA – táxi aéreo clandestino). Mas o passageiro poderia “rachar” o combustível, conforme comentado aqui.

3) Não é o DECEA quem investiga um acidente aeronáutico, e sim o CENIPA-Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes; e a sigla daquele não significa Destacamento de Controle do Espaço Aéreo, e sim Departamento.

Estolou na curva, hein UOL?