Mantendo a tradição iniciada em 2015, e considerando que o ano está praticamente encerrado, vamos analisar o que se pode esperar para 2020 e além para a aviação brasileira.

Em termos econômicos mais gerais, acredito que o fato mais importante que temos que levar em consideração é o patamar de juros que temos hoje: uma SELIC em 4,5% ao ano é algo absolutamente fantástico, e o resultado disso deverá aparecer em 2020. O que quero dizer é que, com uma taxa básica de juros tão baixa, a retomada da economia fica muito mais fácil de acontecer – e, com a economia reagindo, a necessidade de voar aumenta naturalmente. Isso já vem acontecendo em 2019, em especial neste último trimtestre, e deve se acentuar em 2020.

Para a aviação, especificamente, temos a questão dos combustíveis a ser considerada. Quase todos os Estados da Federação lançaram algum programa de redução de ICMS neste ano, muito embora a maioria deles só atinja a aviação comercial (linha aérea/121). Para 2020, espera-se que o monopólio de fato da Petrobras que existe no Brasil seja finalmente quebrado, e que o aumento da concorrência colabore para a diminuição dos preços dos combustíveis aeronáuticos. A extensão da desoneração tributária para o QAV utilizado pela aviação geral e para a AVGAS também é esperada. Isto tudo deve estimular o setor também.

Este ano tivemos a infelicidade de assistir ao desaparecimento de mais uma companhia aérea (Avianca Brasil), o que foi muito ruim em termos de empregabilidade de pilotos. Também houve certa frustração do mercado com o fato de nenhuma companhia estrangeira importante anunciar o início de operações no Brasil após um ano de abertura ao capital externo para as empresas de aviação. Acredito que haverá um crescimento modesto na linha aérea nacional em 2020 (menos na Azul, que deverá apresentar um crescimento mais expressivo), mas o viés é de alta. E não ficaria surpreso se alguma empresa estrangeira anunciasse investimentos no país no ano que vem – muito embora não haja informações concretas sobre isto até este momento.

Na aviação geral, existe um grande otimismo entre os operadores privados/91, sendo que a LABACE deste ano experimentou o melhor desempenho dos últimos anos na venda de aeronaves para o segmento. O táxi aéreo, todavia, ainda não reencontrou o caminho do crescimento, tanto em sua operação convencional (fretamentos), quanto na operação off-shore. Já o segmento sub-regional vem apresentando um bom desempenho, e deve continuar assim em 2020 – porém, esta operação ainda é pouco volumosa no Brasil.

Em resumo, o cenário de 2020 é moderadamente positivo, com maiores chances de surpresas positivas do que negativas. Não é uma perspectiva totalmente cor-de-rosa, mas se compararmos com os últimos cinco anos, é a melhor que tivemos no período.