Atualizando as previsões do Pai Raul para 2020 e além, já que o ano começou agitado:

Na asa fixa, a grande novidade foi a aquisição da TwoFlex pela Azul – fato que importa muito mais pelo significado paralelo que ele poderá ter do que pelas cifras envolvidas no negócio. O valor da transação (R$123milhões, de acordo com avaliações do mercado) não é nada demais para uma atividade econômica que necessita de ativos tais como as grandes aeronaves comerciais, que facilmente passam dos US$200milhões de ‘tag price’. Porém, até por conta disso, é intrigante compreender o que teria motivado a Azul a se interessar por um negócio tão “pequeno”. Além dos ‘slots’ que a TwoFlex possui em Congonhas (e que, sem dúvida alguma, deve ter pesado bastante na decisão de compra!), o que mais poderia ter sido importante para que o negócio se concretizasse?

Dois outros fatores podem ter ajudado a motivar a Azul a adquirir a TwoFlex: o interesse em investir maciçamente na aviação sub-regional (aqui entendida como a realizada com aeronaves com menos de 20 assentos); e o acesso a uma plataforma de treinamento inicial de pilotos menos onerosa do que a atual, em que os novos contratados são direcionados para aeronaves de maior porte. Em ambos os casos, a sinalização é de que a empresa deve aumentar significativamente a contratação de pilotos em 2020, seja porque a aviação sub-regional requer proporcionalmente muito mais aviadores do que a linha aérea convencional; seja porque ninguém se preocuparia com infraestrutura de treinamento se não tivesse planos agressivos de contratação de pilotos. Por outro lado…

A aquisição – e, por conseguinte, o desaparecimento – da TwoFlex também significa que o mercado terá um competidor a menos, o que normalmente não é uma boa notícia em termos de empregabilidade. Mas, apesar disso, a operação deve ter um saldo positivo para o mercado de trabalho de pilotos de avião – pelo menos, é esta minha expectativa. Vamos ver…

O ano novo também trouxe notícias positivas para a asa rotativa, como mostra esta nota recentemente publicada na Airway, afirmando que a demanda por helicopteros decola no setor de oleo e gás. Chequei a informação com empresários do setor, que confirmaram que as perspectivas para 2020 estão positivas; entretanto, eles também acham que o otimismo da reportagem acima está um pouco exagerado, e que boa parte dos novos contratos será compensada por outros, mais antigos, que não serão renovados. Ou seja: o mercado de ‘oil & gas’ está reagindo em 2020, e como este segmento traz reflexos para todo o mercado de trabalho de pilotos de helicóptero, é de se esperar alguma recuperação neste ano. Esta reação, todavia, não deve ser nada espetacular como sugere a nota acima, mas dada a coleção de más notícias de anos anteriores, um alento. Outro “vamos ver” para a gente!

Então, pessoal, a mensagem final é que 2020 está se mostrando mais positivo do que se previa inicialmente. Agora é bola prá frente, e vamos aproveitar as oportunidades que há muito estavam escassas!