Nestes tempos de pamdemia de vírus e de fake news, houve muita desinformação quanto à proposta de alteração do RBAC-63, que trata de regras para mecânicos de voo e comissários de voo, por meio da Consulta Pública N°08/2020. Entretanto, a ANAC já esclareceu o mal entendido nesta nota, e acho que sobre isto não é necessário comentar mais nada. Também não pretendo avaliar aqui o mérito das alterações propostas, uma vez que nosso foco sempre foi a formação de pilotos, e não gostaríamos de opinar sobre assuntos que não possímos excelência técnica. Mas avaliar as consequências indiretas desta possível mudança para as escolas de aviação e aeroclubes (CIACs, na nomenclatura atual), isso sim podemos fazer.

Não é novidade para ninguém que a crise do COVID-19 atingiu em cheio a aviação, inclusive o segmento de instrução. Também não é segredo para quem conhece minimamente o funcionamento dos CIACs que parte considerável da receita destas instituições vem dos cursos teóricos – que, a propósito, muito frequentemente são responsáveis pela manutenção dos custos fixos de muitos aeroclubes e escolas Brasil afora. Isso sem considerar os CIACs que oferecem somente os cursos teóricos, alguns focados em formação de comissários e mecânicos. Tudo considerado, não é difícil concluir que a alteração proposta, se aprovada, será muito ruim para a sobrevivência das instituições de ensino aeronáutico. Não estou dizendo que se deva manter tais cursos obrigatórios somente para viabilizar a sobrevivência econômica dos CIACs, mas acho que as autoridades aeronáuticas precisariam considerar a compensação dessa perda de receita que o setor irá sofrer de alguma forma, caso a mudança se concretize. Pelo menos isso.

E você, o que acha?